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  • December 8, 2014

Internet das Coisas e os Varejistas

Glaucia Maurano
Marketing Director Latin America - Retail
Autor: David
Dorf, diretor sênior de estratégia tecnológica, Oracle Retail

O filtro de água do meu refrigerador dura
cerca de seis meses e, quando chega a hora de substituí-lo, uma lâmpada de
aviso acende.
Então afasto a caixa do
leite e as sobras de comida para encontrar o número do modelo do filtro e
comprá-lo na loja ou pedí-lo on-line. Mas por que o refrigerador simplesmente não pede seus próprios itens de
reposição? É exatamente isso que o
futuro reserva para a “Internet das Coisas”. Quanto mais dispositivos se
conectarem à Internet e se tornarem “inteligentes”, menor será o esforço para
executar tarefas corriqueiras.

Essa é a visão que Kevin Ashton, do MIT,
revelou ao cunhar o termo “Internet das Coisas”, abreviado como "IoT"
em inglês (Internet of Things). Em um artigo de 2009, ele disse: “Se tivéssemos
computadores que soubessem de tudo o que há para saber sobre as coisas – usando
dados por eles recolhidos sem qualquer ajuda –
seríamos capazes de rastrear e contar tudo, e reduziríamos muito o lixo,
o desperdício e os custos. Saberíamos quando as coisas precisam ser substituídas,
consertadas ou quando sofrem
recall e se estão frescas ou passaram da
validade.”

Internet of Things / Internet das Coisas

Isso me faz lembrar de um produto interessante
chamado Egg Minder, uma bandeja de ovos inteligente que controla quantos ovos
existem na geladeira e o seu prazo de validade.
Ela se comunica via WiFi com um aplicativo para smartphone e, assim,
você nunca mais fica sem ovos novamente.

Quando falamos de IoT, estamos nos referindo a
dispositivos que atendem a três critérios:

  • Primeiro, precisam estar conectados a uma rede, mas não
    necessariamente à Internet.
    Isso inclui
    NFC, Bluetooth, Zigbee, etc.
  • Em segundo lugar, eles precisam ser
    autônomos e não exigirem intervenção
    humana
    .
    Isso geralmente requer uma
    fonte de alimentação e exclui dispositivos como laptops e tablets.
  • Em terceiro, eles devem transferir informações como: estado, local, dados de sensores, etc.
    A “inteligência” pode estar nos dispositivos, mas não necessariamente.
    Algumas vezes, os sensores enviam dados de
    volta para um único lugar onde a “inteligência” é aplicada.

Os smartphones às vezes podem ser
classificados na categoria de IoT, por exemplo quando atuam passivamente como
sensores, informando localizações para delimitação geográfica ou usando
Bluetooth por proximidade, casos em que não exigem intervenção humana.

Qual o
impacto para os varejistas?

Ao avaliarem os impactos da Internet das
Coisas, os varejistas devem levar em conta estas três perguntas:

1. Como a IoT pode colaborar com as operações?

2. Como a IoT pode ajudar os consumidores a comprar?

3. Quais novos produtos da IoT vão se popularizar?

No contexto do varejo, o RFID é o mais
conhecido exemplo de IoT.
De acordo com
Bill Hardgrave, da Auburn University, etiquetar produtos para que eles possam
ser rastreados e contados traz enormes benefícios para os varejistas. Usando etiquetas RFID, os varejistas podem
ter 99% de precisão de estoque, 50% de redução nas ausências de estoque, 70% de
redução de perdas, além de aumentos de vendas na faixa dos 2% a 7%.

Na loja principal da Saks em Nova York, o
varejista decidiu colocar etiquetas RFID nos calçados em exposição para
monitorar e garantir que todos os estilos diferentes estavam de fato sendo
mostrados.
Quando não está em exposição,
um calçado praticamente não tem chance de ser vendido. Esse esforço foi, portanto,
fundamental para aumentar as vendas.

Embora a cadeia de suprimentos do varejo seja
a área com os benefícios mais óbvios, há outras maneiras de otimizar as
operações usando o IoT.
Um ramo
emergente do IoT é o de artigos vestíveis -- os muitos diferentes dispositivos
inteligentes que as pessoas agora podem vestir. O futuro Apple Watch atraiu bastante atenção, mas o Google Glass tem
mais aplicação nas lojas. Imagine o gerente
da loja usando o Glass e vendo relatórios instantâneos aparecerem no seu campo
de visão à medida que ele verifica a loja, comparando o plano de cada
departamento com as vendas reais.

No protótipo criado pela Oracle, o gerente
também pode examinar códigos de barras para obter mais informações sobre
produtos, além da situação do estoque.
E
os pedidos de reposição nos pontos de venda são exibidos como pop-ups no Glass
para que o gerente possa tomar decisões sobre cada um deles remotamente.

O varejo não é o único setor a ser impactado. Várias cadeias de hotéis estão experimentando
fechaduras inteligentes nas portas. Quando um viajante entra no hall de entrada, seu check-in é feito
automaticamente pelo smartphone e ele recebe um quarto. O smartphone usa Bluetooth para abrir a porta
e, assim, não há necessidade de chaves.

Reformulando
a experiência de compra

Os impactos do IoT na experiência do cliente
estão apenas começando.
Sensores, como
sinalizadores Bluetooth, podem rastrear smartphones por toda a loja e registrar
dados do percurso de compra, que depois podem ser usados para otimizar os
layouts das lojas. Eles também podem ser
empregados para direcionar informações contextuais e ofertas aos compradores à
medida que eles andam pelos corredores.

E, obviamente, isso se estende ao caixa, onde
os compradores podem usar seus cartões sem contato equipados com a tecnologia
NFC para pagar pelas mercadorias.
Alternativas como Apple Pay, Softcard, PayPal e CurrentC expandirão os
recursos de pagamento, ao incluírem cupons digitais, recompensas e segurança
aprimorada.

Nest, o famoso termostato inteligente
inventado por alguns dos criadores do iPhone, foi hackeado em laboratório.
Com acesso físico a um termostato Nest, uma
pessoa pode “fazer jailbreak” do aparelho e carregar nele um novo programa. Embora não tenha uma aplicação prática real,
isso serve como um aviso de que a segurança não pode ser uma questão
secundária. Se o Stuxnet conseguiu
paralisar as instalações nucleares do Irã, imagine se todos os dispositivos
Nest tivessem um vírus que ativasse simultaneamente a energia de todas as
casas, sobrecarregando assim a rede elétrica.

O maior potencial para a IoT é o
reabastecimento doméstico.
Imagine
pressionar um botão na parede da área de serviço sempre que o sabão em pó
acabar e pedir automaticamente uma nova caixa do produto na sua loja on-line
favorita para receber em casa. Esses
botões genéricos poderiam ser configurados para diferentes produtos e
instalados pela casa em pontos estratégicos. Conectar a automação doméstica a sites de comércio eletrônico pode se
tornar a nova onda do varejo.

A IoT
está expandindo seu portfólio de produtos

A última questão a ser examinada é a variedade
de novos produtos de IoT que os varejistas venderão.
Com a tendência de automação doméstica em
plena evolução, empresas como Lowe’s, Home Depot e Staples lançaram seus
próprios produtos de “hub”, que estabelecem uma ponte entre os protocolos
usados pelos produtos de diferentes fornecedores. Usando esses hubs, os consumidores podem
controlar a iluminação, o sistema de ar condicionado, as cortinas, as câmeras
de circuito fechado, entre outros elementos, com um único aplicativo de
smartphone.

A área de cuidados com a saúde é outra
tendência. As pessoas podem monitorar seus exercícios, seu peso e até o tempo
durante o qual escovam os dentes com dispositivos conectados à Internet.
As análises buscam padrões nos dados e
fornecem sugestões de melhorias. Não deve
demorar muito para que redes como a Walgreens e a CVS se ofereçam para analisar
esses dados a fim de diagnosticar melhor doenças e prescrever medicamentos.

Meu produto favorito de IoT tinha de ser o
Droplet, um irrigador inteligente que usa informações do clima e do solo para
descobrir a quantidade perfeita de água a ser distribuída para as plantas e a
grama, economizando até 90% na conta de água.
Nunca mais regarei a grama uma hora antes de chover!

Todos os
varejistas serão afetados pelo progresso da IoT nos próximos anos.
Cada um deve avaliar como a IoT pode
colaborar com as operações, como ela pode ajudar os consumidores a comprar e
quais tipos de novos produtos serão vendidos. As respostas a essas perguntas ajudarão a elaborar uma estratégia que
manterá os varejistas na vanguarda do mercado. E algum dia eu saberei que o
filtro de água expirou quando um novo for entregue na minha porta.

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Conecte-se a Oracle Retail: oneretailvoice_ww@oracle.com - 

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