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O viés cognitivo pode estar atrapalhando sua transformação digital

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Entenda como esses vieses podem causar estragos quando se trata de avaliar os riscos de levar aplicações de missão crítica para nuvem.

Por Cristina De Luca e Silvia Bassi*

Você certamente já ouviu falar em viés cognitivo, aquele erro sistemático no pensamento que afeta as escolhas e os julgamentos de uma pessoa. Esses vieses influenciam nossa percepção do mundo e podem nos levar a decisões erradas.

O conceito foi proposto pela primeira vez por Amos Tversky e Daniel Kahneman em um artigo de 1974 na revista Science. Desde então, os pesquisadores identificaram e estudaram numerosos tipos de vieses cognitivos, descritos depois por Kahneman no livro “Rápido e Devagar, duas formas de pensar”.

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A forma rápida é intuitiva, baseada nos atalhos mentais no pensamento. E a conhecemos como heurística. Já o pensamento lento, inclui deliberação e lógica. Esses dois tipos de pensamento afetam a forma como fazemos julgamentos.

Segundo Kahneman, nossas mentes frequentemente respondem ao mundo automaticamente e sem nossa consciência, recorrendo institivamente à heurística. Quando a situação exige, somos capazes de colocar o esforço mental em tomar decisões, mas ainda assim muito do nosso pensamento ocorre fora do controle consciente.  

O uso inconsciente desses atalhos mentais (heurísticas) pode levar a decisões equivocadas ou irracionais, confirmando expectativas ou crenças pessoais. Daí surgem os vieses cognitivos, que tanto podem aumentar nossa eficiência mental, permitindo-nos tomar decisões rápidas sem qualquer deliberação consciente, quanto distorcer o nosso pensamento, levando à má tomada de decisão e falsos julgamentos.

Quando se trata de avaliar riscos, nossos cérebros assumem vieses cognitivos que nos impedem de fazer a escolha correta. Isso explica por que muitos executivos evitam o risco, tão necessário para a disrupção, e acabam sendo suas vítimas.  

5 vieses que podem causar estragos
Separamos abaixo alguns vieses que podem causar estragos quando se trata de avaliar os riscos de levar aplicações de missão crítica para nuvem, por exemplo.

Viés de representatividade: conclusões precipitadas guiadas por estereótipos. - “On-premises é mais seguro e mais rápido.”

Viés da ancoragem:  tendência a confiar demais ou ancorar-se em uma referência do passado ou em um detalhe da informação na hora de tomar decisões. - “Nosso tempo de resposta sempre foi satisfatório.”

Viés do efeito de adesão: acreditar em algo porque a maioria no grupo ao qual pertence também acredita. - “Todo mundo sabe que o nosso departamento não tem problemas.”

Viés da negligência de probabilidade: tendência a focar na magnitude negativa dos resultados (por exemplo, dados na nuvem não estão seguros) em vez das probabilidades associadas (por exemplo, nuvens são estatisticamente mais seguras que muitos ambientes on-premise). - “Armazenar dados na nuvem é arriscado.”

Viés do status quo: tendência em preferir manter as coisas na situação em que estão por insistir em uma decisão já tomada, ainda que mudar represente uma escolha mais proveitosa. Ou seja, não sair da zona de conforto. - “Em time que está ganhando não se mexe.”

Pense bem, quantos desses cinco vieses, muito comuns, você e/ou sua equipe usaram nas últimas 24 horas? Os vieses cognitivos podem estar atrapalhando a transformação digital da sua empresa.

É difícil não ver esses preconceitos, reconhecê-los em nós mesmos e não querer consertar todos eles.  No caso da transformação digital, temos uma dica que pode ajudar a afastá-los na hora da tomada de decisão. São cinco perguntas que todos no seu time deveriam responder.

1 – Por que acredito nisso?
2 – Quais são os argumentos contrários?
3 – Quem está influenciando minhas crenças?
4 – Estou seguindo um pensamento de grupo?
5 – O que poderei perder ou ganhar com essa decisão?

Oracle Cloud Now

Com um total de 4 programas, com duração de cerca de 15 minutos cada, a série de podcasts Oracle Cloud Now traz entrevistas sobre temas como transformação digital, Cloud 2.0, ERP na nuvem e banco de dados autônomo, conduzidas pelas jornalistas Cristina De Luca e Silvia Bassi.

*As jornalistas Cristina De Luca e Silvia Bassi são responsáveis pela newsletter The Shift

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