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O poder das escolhas conscientes

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Os vieses inconscientes afetam tanto a vida pessoal quanto a profissional, influenciando desde o comportamento até as escolhas dos gestores para formar equipes.

Por Marcelo Pivovar *

Quanto tempo você acha que seu cérebro leva para julgar se pode ou não confiar em alguém? Você pode até pensar que não é certo julgar um livro pela capa, mas esse tipo de julgamento acontece o tempo todo e, na maioria das vezes, é feito de forma inconsciente. Mas voltando à pergunta inicial, nosso cérebro decide se a pessoa é confiável (ou atraente) em uma fração de segundo, mais especificamente ¼ de segundo. Segundo estudos da Universidade de Princeton, a resposta do cérebro é tão rápida que a razão não tem influência sobre ela.

É isso mesmo, pessoal, ¼ de segundo, e sinto lhes dizer que, de certa forma, somos todos preconceituosos ou tendenciosos e temos vários vieses inconscientes, a favor ou contra algo ou alguém.

Como nosso cérebro precisa lidar com muitas coisas ao mesmo tempo (são milhares de informações por segundo) ele cria uma espécie de “atalho” para os padrões que ele considera mais importantes, para que então possa reconhecê-los rapidamente; é o que chamamos de piloto automático.

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O problema é que esses atalhos são naturalmente tendenciosos, já que são adquiridos com base em nossas experiências, cultura, educação, ambiente e aprendizados, formando o sistema de crenças que define nossos comportamentos; e isso chamamos de Vieses Inconscientes ou Vieses Cognitivos. Os vieses são rótulos que damos a pessoas e a coisas a partir de uma série de acontecimentos em nossas vidas. Eles nascem de uma mescla de processos culturais e cognitivos, o que quer dizer que tendemos a enxergar o mundo de acordo com nossas referências e as experiências que tivemos.

Enfim, mas o que esse tal de viés inconsciente tem a ver comigo ou com a empresa onde trabalho?

Em nossa vida pessoal, e não poderia ser diferente no mundo corporativo, temos a tendência e a preferência de nos aproximarmos de pessoas que sejam mais parecidas conosco, e com elas criarmos uma conexão mais rápida. O problema é que o contrário é também verdadeiro: temos uma forte tendência a nos afastar de pessoas que são diferentes ou com as quais criamos um “preconceito automático” e inconsciente. Ou seja, os vieses inconscientes dos líderes refletem nas formações dos times de trabalho e inclusive nas contratações realizadas, resultando em equipes compostas por pessoas com perfis similares.

É por isso que nós, líderes, devemos buscar maior consciência e aprendermos a lidar com nossos vieses inconscientes, porque se deixarmos que o “piloto automático” naturalmente influencie e defina nossos pensamentos e comportamentos, existe uma grande probabilidade de sermos injustos e tendenciosos, principalmente em relação às pessoas. 

O segredo então é começar a separar algum tempo para observar e analisar nossos pensamentos, algo que normalmente não fazemos no dia-a-dia (eu, particularmente, medito diariamente por pelo menos 30 minutos). Comece a observar determinados pensamentos/comportamentos, como por exemplo: Por que eu não gosto de ser contrariado em minhas opiniões? Por que eu tenho pouca paciência com essa pessoa? Por que eu geralmente resisto a novas ideias e mudanças? Por que eu me sinto inseguro quando estou perto dessa pessoa?

Enfim, observar esses tipos de pensamentos/comportamentos (vieses inconscientes) e questioná-los faz com que aos poucos se tornem conscientes e, com o tempo, novos “atalhos” se formem, menos tendenciosos e preconceituosos. E à medida que esses novos atalhos são utilizados, eles começam a se tornar um novo comportamento padrão para o cérebro – mas para isso é necessário o esforço consciente de exercitar este novo hábito. Essa é a chamada Neuroplasticidade.

E como dizia um dos grandes mentores que tive “Você não pode impedir que um pássaro pouse na sua cabeça, mas pode evitar que ele faça um ninho”. Resumindo, é impossível evitar o viés inconsciente, mas é possível reconhecê-lo e decidir como lidar com este pensamento.

E você, quais são seus vieses inconscientes? Quais são as mentirinhas que você anda contando para você mesmo? 

* Marcelo Pivovar é gerente sênior de arquitetura na Oracle.

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