
Uma pesquisa recente da conceituada Boston Consulting Group (BCG), apontou os componentes que foram fundamentais para as empresas passarem pela transformação digital, nesta década de 2020. O objetivo é que estes componentes sirvam de farol para aquelas que ainda vão enfrentar esta metamorfose.
As empresas que já iniciaram a transformação digital ganharam uma grande dianteira em relação àquelas que ainda resistem. Estão mais leves, confiantes, rentáveis e agilmente preparadas para as vulnerabilidades dos mercados. Se as que completaram a jornada têm ainda um enorme desafio em relação ao que a próxima década prenuncia, imaginem só para as que insistem nos paradigmas da velha economia!
As empresas acordaram para o fato de que não se constrói valores permanentes com voos de galinha. Assim como ocorre com as marcas, que permanentemente contam a história da empresa, a mudança deve ser o mote intrínseco das ações empresariais. A proposta é adotar iniciativas de longo prazo com resultados colhidos ao longo do tempo e, indispensável, a capacidade de assoprar as cinzas do que não deu certo e rapidamente mudar o curso.
As que venceram na transformação desta década, apresentaram 3 Capacidades (3Cs) em comum:

Cada uma dessas Conquistas daria um livro, mas a ideia aqui é detalhar um pouco das 5 recomendações apresentadas pelas empresas que chegaram lá:
1. Programas de mudança baseados em evidências
Os executivos em geral promulgam os programas de mudança orientados pela intuição e experiência, que não devem ser desprezadas mas, uma vez que a oferta de informações é enorme, não há razão para não entender os números e desenhar mudanças convincentes para os investidores.
A pesquisa revela que a maioria dos bem-sucedidos utilizou dados para prever as mudanças, ainda quando estavam em franco crescimento, com autoridade para entusiasmar os tomadores de decisão que patrocinam os projetos.
Seja uma empresa orientada a dados.
Simule cenários completos a exaustão.
2. Estratégia adaptada de mudança
Algumas empresas acreditam que podem perder o seu DNA, seu status, sua forma tradicional de operar, se não usarem o mesmo remédio para todas as doenças. Mesmo as pequenas organizações têm desafios diferentes quando defrontadas com diferentes terrenos, ou diferentes recursos para enfrentar as mudanças.
As empresas mais audaciosas desmembraram os desafios por diferentes características e adotaram estratégias diferenciadas. Por exemplo, a bandeira da centralização para garantir uniformidade e redução de custos não precisa ser um mantra para ser adotado nas estratégias comerciais, pois isso pode levar a um desastre.
Empoderamento não significa “cada um faz o que quer”, deve haver um Norte, que se chama Objetivo, limitado pelos valores e propósitos. Desta forma, habilita-se os talentos para escolherem o melhor formato para a travessia, através da capacitação permantente.
"Contrate caráter e capacite habilidades, não o contrário."

3. Abrace a incerteza e a complexidade
Seja realista e aprenda a separar o que está dentro e fora do seu controle. Estamos na era da gestão biológica, onde os ecossistemas se combinam e alteram as reações em função do contexto. Para o que ainda for estático, adote o controle tradicional. Para todo o resto use a capacidade de se moldar, não passivamente, mas criando ambientes e influenciando os participantes do processo. Por exemplo, desenvolva os fornecedores para que sejam parceiros, como faz com os funcionários, traga os clientes para as bancadas de desenvolvimento, convide os órgãos reguladores para educar os colaboradores, etc.
Gestão biológica:
a) Adapte-se vendo o que funciona
b) Forme o contexto organizacional, não individual
c) Novas abordagens a partir da diversidade
d) Resiliência para o desconhecido
e) No conflito, confiança e reciprocidade
Integre a sua cadeia de valor.
4. Use tecnologia para encontrar o talento certo
O estudo da neurociência e os avanços na tecnologia de testes permitem a identificação rápida e escalonável dos traços cognitivos e emocionais, que são mais objetivos do que as medidas de autorrelato ou julgamentos baseados em entrevistas. E a inteligência artificial e a varredura de talentos nas redes sociais, agora pode encontrar e refinar relações complexas entre essas características e o desempenho do trabalho em conjuntos muito grandes em características e papéis.
O talento certo no lugar certo. Seleção e retenção.
5. Entenda e use a ciência emergente
Use ciência dos dados para identificar quando e como mudar. Esta será a arma mais poderosa da próxima década. Como a ciência da meteorologia faz de forma evolutiva há décadas, as empresas devem estar preparadas para identificar sinais e tendências em ambientes complexos e altamente dinâmicos.
Por exemplo, não poderemos nos dar ao luxo de esperar que os clientes recusem nossos produtos ou serviços, devemos ser capazes de identificar padrões e mudanças de comportamento. A evolução dos nossos produtos e processos internos virão da nossa capacidade de conjugar o uso dos diversos modelos de aprendizado de máquina, associado com a interpretação da essência dessas mudanças e criar novos modelos de negócio.
Use inteligência adaptativa nos processos empresariais.
Conheça mais sobre o aprendizado de máquina.
Concluindo
Um tema antes tratado como excesso de zelo, ou passível de aplicar uma única metodologia generalista, a Gestão da Mudança está ganhando protagonismo no complexo e dinâmico conceito de modelo de negócio da era digital. Talvez a melhor metáfora seja o conjunto de sistemas do corpo humano, que apesar de harmônico, está longe de ser estável. A cada dia, assim como em cada fase, sofremos influências externas e que carecem de abordagens diferentes para cada situação.
Assim está sendo o ambiente empresarial que não consegue viver isolado e sem parcerias em todos os seus passos, onde a mudança que precisa ser gerida, é a única constante.
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