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Tecnologias emergentes e seu impacto em indústrias, mercados e na sociedade como um todo.

  • April 18, 2019

Por que a cadeia de suprimentos focada no paciente é fundamental para o futuro da área de saúde

Guest Author

Além de possibilitar redução de custos, quando aliados às tecnologias emergentes esses processos podem ajudar a área da saúde a cumprir seu objetivo de prestar  um atendimento mais focado nos pacientes.

Por Michael Walker *

Nos meus 25 anos de carreira, eu me envolvi em muitos aspectos das ciências da saúde, como aparelhos médicos, produtos biofarmacêuticos e profissionais de saúde. A partir dessa experiência, que incluiu funções na cadeia de suprimentos, estratégia de produtos e consultoria de gerenciamento, comecei a valorizar o papel fundamental da cadeia de suprimentos nos negócios. Em qualquer negócio. Sua eficiência e eficácia influenciam todos os aspectos de uma organização.

Em 2001, em um estudo chamado “Crossing the Quality Chasm: A New Health System for the 21st Century”, o Instituto de Medicina listou seis objetivos específicos para aprimorar o sistema de saúde nos EUA: torná-lo mais seguro, eficiente, eficaz, adequado, igualitário e voltado para o paciente. Esses objetivos notáveis beneficiarão todos os pacientes e possíveis pacientes, através de um atendimento mais específico, amplamente disponível e menos caro.

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A cadeia de suprimentos voltada para o paciente pretende ajudar as organizações de saúde a alcançarem esses objetivos. A maioria dos hospitais poderá reduzir significativamente seus custos com suprimentos e melhorar os resultados na saúde, aprimorando os processos e ferramentas de cadeia de suprimentos modernos, voltados para a demanda. Essa modernização, juntamente com o uso de tecnologias emergentes como análise de dados, Internet das Coisas, redes de registro distribuído com blockchain e inteligência artificial, podem ajudar as organizações de saúde a chegarem mais perto de seu objetivo de fornecer um atendimento voltado para o paciente.

Muita ineficácia

Todos sabem que os custos da saúde crescem rapidamente, cerca de 5% ao ano nos EUA, onde calcula-se que chegarão em US$ 5,7 trilhões até 2025. Uma forma de começar a controlar esses custos é com o segundo maior gasto (depois de mão de obra) dos hospitais: suprimentos. Entre eles, medicamentos, é claro, mas também uma série de equipamentos médicos/cirúrgicos, como bolsas para administração intravenosa, máscaras, luvas, equipamentos operacionais, esponjas e curativos. As práticas de gerenciamento de ativos dos hospitais são, em sua maior parte, muito ineficazes. Considere as seguintes estatísticas:

  • Os hospitais dos EUA destroem US$ 800 milhões de medicamentos vencidos anualmente, de acordo com estimativas.
  • Aproximadamente 4.500 medicamentos e equipamentos médicos são recolhidos todos os anos, e 5% desses recolhimentos são considerados fatais.
  • Enfermeiros gastam em média 21 minutos por turno procurando equipamentos perdidos.
  • Os hospitais usam seus equipamentos clínicos móveis, como ventiladores e monitores cardíacos, somente 42% das vezes. Mais da metade do tempo esses aparelhos não são utilizados. Resultado: os hospitais compram mais equipamentos móveis do que precisam.

Além disso, é importante que as organizações de saúde organizem os suprimentos que os médicos querem usar, conhecidos no setor como itens preferidos pelos médicos (Physician preference items, PPIs), com seus padrões definidos, de modo que não tenham dez médicos utilizando dez tipos diferentes de produtos para o mesmo procedimento.

Não é nenhuma surpresa que os hospitais estejam tomando medidas para saber exatamente quais equipamentos e suprimentos estão usando, onde eles estão localizados em todos os momentos e os disponibilizem o mais rápido possível.

Mas os pacientes não vão apenas a hospitais para obterem cuidados com a saúde. Cada vez mais surgem clínicas de atendimento de emergência e centros de tratamento para distúrbios específicos. Muitas dessas instalações estão alinhadas aos sistemas de hospitais locais, embora cada uma, em sua maioria, armazene seus próprios suprimentos. É uma receita para a sobrecarga de inventário e para o desperdício.

Como ter um atendimento voltado para os pacientes 

É por isso que os executivos da área de saúde procuram adotar as melhores práticas de outros setores relacionadas à cadeia de suprimentos. Implementar uma rede de suprimento voltada para a demanda (Demand-driven supply network, DDSN), que atenda aos requisitos do cliente, neste caso paciente, pode ajudar os profissionais da área de saúde a reduzir significativamente os custos com material, assim como acontece em outros setores há anos. Por exemplo, a Oracle e uma empresa de consultoria internacional trabalharam com um hospital no centro da cidade, em um projeto de otimização de cadeia de suprimentos voltada para a demanda, que eliminou US$ 1,5 milhão em custos com equipamentos médicos.

É cada vez mais importante que os profissionais da área de saúde coloquem seus pacientes no centro das estratégias de realização e demanda, um enfoque que pode ser apoiado pelo uso de diversas tecnologias emergentes.

Análise de dados e machine learning. As ferramentas de análise de dados podem ajudar os médicos e pesquisadores a determinarem os custos reais e o benefício para os pacientes dos medicamentos, materiais e tratamentos. Os algoritmos de machine learning podem analisar um grande volume de dados para médicos que procuram padrões nos dados de saúde de um paciente durante o tempo, princípio fundamental no atendimento voltado para o paciente, além de ajudar pesquisadores que estudam os resultados de diversos ensaios clínicos, procurando por medicamentos mais econômicos.

Internet das Coisas. Conhecido no setor como IoHT (Internet of Health Things), este conjunto de tecnologias de rede sem fio, sensor e análise será fundamental para ajudar os profissionais de saúde a monitorarem seus recursos em diversas instalações. Também terá uma função importante no campo emergente de Cuidados com a saúde conectados (Connected Care), que é a capacidade de monitorar e fornecer serviços aos pacientes em suas residências e outros locais.

Blockchain. Como a solução de blockchain pode fornecer um registro privado, compartilhado e imutável de transações entre parceiros comerciais, eles prometem permitir autenticidade e agilizar o recolhimento de produtos, a fim de remover materiais nocivos ou defeituosos do uso clínico.

Em combinação com a IoHT, a solução de blockchain pode ajudar a melhorar a segurança do paciente, especialmente com relação ao rastreamento de produtos. A blockchain ajudará os fornecedores de produtos de saúde a saberem quais são e cumprirem com suas responsabilidades. Além disso, a IoHT pode ajudar os produtos, principalmente os medicamentos, a chegarem pontualmente ao seu destino sem seres violados.

Inteligência artificial. Um exemplo muito simples, mas impactante do uso de IA na área de saúde são os chatbots. Enquanto o paciente está vindo pelos corredores, o médico pode usar o comando de voz para solicitar a transferência de um inventário para um local específico, aumentando a pontualidade do atendimento. Os chatbots podem aumentar a eficácia de enfermeiros, fornecendo-lhes informações no local do atendimento, em vez de precisarem voltar a um posto de enfermagem. Os chatbots também podem aumentar o bem-estar dos pacientes, indicando os locais de atendimento mais convenientes para consultas de acompanhamento.

A otimização da cadeia de suprimentos está alinhada ao afastamento do setor de saúde de um atendimento intensivo voltado para o hospital, em direção a uma abordagem mais proativa e cada vez mais voltada para o paciente. Ela também ajuda a oferecer suporte à eliminação progressiva do modelo da taxa por serviço dos centros de cuidados intensivos, implementando um modelo cujas tarifas se baseiem mais em consistência e valor.

Ao implementar cadeias de suprimentos voltadas para os pacientes, com a ajuda de ferramentas comprovadas e tecnologias emergentes, as organizações de saúde dos EUA podem realizar melhoras necessárias em seus processos, procedimentos e resultados.

* Michael Walker é líder global de saúde do grupo de soluções industriais da Oracle.

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