X

Tecnologias emergentes e seu impacto em indústrias, mercados e na sociedade como um todo.

Os CFOs e seu novo papel na economia digital

Jerónimo Piña
Software and Cloud Solutions, Research Manager, IDC Latin America

Tradicionalmente, diretores financeiros e Chief Financial Officers ou CFOs eram vistos pelos membros das organizações como uma barreira para os projetos de inovação, uma vez que seu objetivo principal era que a empresa tivesse finanças saudáveis e que reduzisse os riscos. Mas quanto isso é válido?

Não é segredo para ninguém que com a entrada da Tecnologia da Informação (TI), os CFOs não apenas se encarregaram de ter um equilíbrio saudável nas contas e no relacionamento com os investidores, mas também se tornaram analistas estratégicos da informação, apoiando a tomada de decisão de outras áreas de negócio e em projetos de avaliação tecnológica.

Especialmente nos últimos anos, quando a recessão econômica forçou as empresas a serem mais criativas ao investir seus recursos, os financistas foram além de garantir que os números estivessem em ordem ou apenas reduzir custos. A área de finanças se tornou parte da estratégia contínua das empresas para alcançar maior competitividade e perenidade no mercado.

A turbulência fez com que os CFOs permanecessem alertas a situações e mercados voláteis; as decisões não poderiam mais ser adiadas, pelo contrário, tiveram que ser tomadas no momento oportuno, e se tornou necessário designar um orçamento maior para a inovação como um motor para o crescimento do negócio.

Como resultado de todas essas mudanças, atualmente no Brasil, 60% dos profissionais de finanças consideram que a Tecnologia da Informação é elemento crucial para as linhas de negócios, cerca de um quinto deles acreditam que ela ajuda a melhorar o desempenho da empresa e 15% dos entrevistados em estudos da IDC comentam que apoiam a implementação de iniciativas de inovação.

      

 

O CFO de Hoje

Atualmente, em plena mudança para a economia digital, seu papel deve ser mais dinâmico do que operacional. Os CFOs precisam aumentar não apenas seus conhecimentos em TI, mas também fazer parte da equipe que lidera a inovação na organização, melhorar a gestão e análise de informação, e criar e desenvolver os novos indicadores de crescimento sob um novo modelo de negócio.

É estimado que, até 2021, os investidores usem as métricas de plataforma/ ecossistema, o valor dos dados e o comprometimento do cliente como fatores de avaliação para todas as empresas.

Alguns dos principais facilitadores da inovação - que a IDC chama de tecnologias da Terceira Plataforma, como soluções em nuvem, mobilidade, negócios sociais  e Big Data / Analytics - já fazem parte de iniciativas de transformação digital, onde os CFOs devem participar ativamente.

Esses pilares tecnológicos, além de outros aceleradores de inovação, como sistemas de inteligência artificial e cognitiva, robótica, Internet das Coisas (IoT) ou até mesmo o próprio Blockchain, capacitam os CFOs, proporcionando maiores oportunidades de colaboração com as outras equipes para enriquecer suas estratégias, dar-lhes uma visão mais ampla da empresa, bem como um maior conhecimento de todos os processos e da cadeia de suprimentos.

Além de serem usuários avançados de TI e irem além da automação de seus processos, ao explorar novos aplicativos com maior capacidade de inteligência, como o Enterprise Resource Planning (ERP) inteligente na nuvem, os CFOs têm novas funcionalidades que os ajudam a analisar informações e detectar tendências em seus processos de maneira preditiva por meio de aprendizado automático (Machine Learning ou ML).

A IDC estima que as soluções de negócios inteligentes sob a modalidade de Software como Serviço (SaaS) crescerão acima de 25% nos próximos 24 meses no Brasil e, até 2019, está previsto que 60% das organizações em todo o mundo sentirão a mudança e o impacto da otimização de recursos humanos e de processos trazidos pelo ERP inteligente e suas novas capacidades de inteligência, melhor experiência com o usuário e o próprio uso na nuvem.

O papel dos CFOs está longe de suas funções operacionais tradicionais e evolui para ser um líder do processo de inovação, onde a TI os apoiará na mudança e na transformação de empresas em negócios digitais com capacidade de competir globalmente.

Não é por acaso que hoje 80% das escolas de negócios do mundo estão refazendo seu currículo, incluindo ferramentas cognitivas e de ML, por exemplo, como parte de suas iniciativas de Business Intelligence. E você? Você já exerce um novo papel alinhado à atual economia digital?

*Texto escrito com coautoria de Luciano Ramos, Gerente de Pesquisa de Software e Serviços de TI, IDC Brasil. 

Be the first to comment

Comments ( 0 )
Please enter your name.Please provide a valid email address.Please enter a comment.CAPTCHA challenge response provided was incorrect. Please try again.