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Tecnologias emergentes e seu impacto em indústrias, mercados e na sociedade como um todo.

  • August 3, 2018

O blockchain e a economia da confiança na era digital

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Credibilidade, transparência e segurança são diferenciais da tecnologia, que terá investimento recorde em 2018.

Redação Oracle

Inicialmente mais conhecido como a tecnologia por trás da moeda virtual Bitcoin, que dominou as manchetes dos últimos meses com suas flutuações significativas de valores, o blockchain é observado com uma atenção cada vez maior. Por conta do seu potencial de trazer mais segurança, transparência e confiança às diversas áreas de negócios, a tecnologia vem superando o hype inicial e começa a ser vista como uma realidade.

Em 2018, por exemplo, os gastos mundiais das empresas com redes de blockchain devem alcançar os US$2,1 bilhões, mais do que o dobro dos US$945 milhões registrados no ano passado, segundo nova pesquisa publicada pela IDC. E a escalada não deve parar por aí, já que, de acordo com a consultoria, os investimentos com a tecnologia vão crescer a uma taxa anual composta de 81,2% até 2021, quando os investimentos no segmento devem atingir a casa dos US$9,2 bilhões no mundo todo.

Leia mais: Blockchain pode levar empresas para um futuro mais seguro e transparente

Os Estados Unidos devem liderar os investimentos na área neste período, respondendo por mais de 40% dos gastos globais com blockchain, conforme o levantamento. Enquanto isso, a América Latina será a região com o maior aumento de investimentos no segmento pelos próximos anos, com uma taxa anual composta de crescimento de 152,5%.

Mas o que essa tecnologia emergente tem de especial para atrair tanto interesse? Um dos principais diferenciais do blockchain é a sua capacidade de gerar registros únicos e imutáveis das transações realizadas por meio da plataforma. Desta forma, todas as informações importantes das operações, como data, hora e quantidade e valor, por exemplo, são armazenadas em uma corrente de blocos – daí o nome blockchain em inglês.

Por conta disso, o blockchain costuma ser comparado com um livro de registros (também chamado de ledger, em inglês) ou com uma planilha em branco. A principal diferença aqui é que todos os dados das transações feitas por meio da plataforma são armazenados neste único livro digital ou planilha. Mais importante ainda: o registro dessas informações é feito de uma forma segura, já que conta com criptografia e assinatura digital; é descentralizada, uma vez que as informações são inseridas de forma direta, sem a necessidade de terceiros, como bancos; e podem ser acessadas por todos os participantes da rede.

Desta forma, o blockchain oferece mais transparência e segurança para os diferentes setores, desde bancos e empresas do mercado financeiro até companhias de distribuição de produtos e serviços, que veem na tecnologia uma vantagem em relação aos seus rivais. Também chamada de "a Internet dos Negócios", a plataforma é oferecida pela Oracle por meio do Oracle Blockchain Cloud Service, que faz parte do portfólio de soluções de PaaS (Plataforma como Serviço) da companhia.

O uso de blockchain em finanças

Em finanças, por exemplo, o uso do blockchain permite agilizar e simplificar o processamento de pagamentos internacionais, traz mais rastreabilidade para as transações e diminui os custos de operações. Para se ter uma ideia, um estudo publicado em 2017 pela Accenture aponta que os principais bancos de investimento do mundo poderiam cortar seus custos de infraestrutura em cerca de 30 % com o uso do blockchain nos próximos anos.

Além disso, a plataforma reduz os riscos associados às transações financeiras e também ajudar a diminuir o número de fraudes, já que os blocos das operações não podem ser alterados nem apagados e ficam sempre visíveis para todos os participantes da rede, em uma estrutura digital única.

A Deloitte destaca ainda que o blockchain deverá influenciar o modelo de compra e venda de ações como conhecemos atualmente em um futuro próximo. Ao contrário do mercado de ações, que sempre foi conhecido justamente por contar com diferentes intermediários, como os corretores e as próprias bolsas de valores, a tecnologia permite que o setor funcione de forma descentralizada, sem a necessidade de terceiros. Por conta disso, a adoção de uma solução como o blockchain neste meio poderia afetar a existência de alguns desses intermediários, além de causar um possível impacto na determinação dos valores das ações, aponta a consultoria.

Não por acaso, o setor financeiro deve liderar com folga os investimentos em blockchain em 2018, com gastos estimados em US$754 milhões, de acordo com o estudo da IDC. Mas a tecnologia também está chamando a atenção das mais diversas áreas de negócios. Prova disso é que outros setores empresariais também vão investir alto em blockchain neste ano. Os destaques ficam por conta das áreas de distribuição e serviços, com aportes estimados em US$ 510 milhões em 2018, e de produção e recursos, com investimentos previstos de US$448 milhões na temporada, conforme a IDC.

Para além dos motivos citados acima, boa parte do interesse desses setores no blockchain se dá porque a tecnologia permite, entre outras coisas, garantir a origem de produtos e materiais. No blockchain, todas as partes envolvidas na negociação recebem sempre uma cópia do registro armazenado na plataforma. Ou seja, caso haja alguma discrepância ou mesmo um problema na entrega do produto ou depois disso, o blockchain poderá e deverá ser utilizado para esclarecer o caso.

Por fim, vale mencionar que a tecnologia também pode ser utilizada para uma infinidade de outros objetivos, que incluem desde a emissão digital de documentos, como certidões e diplomas, até a produção dos chamados contratos inteligentes (“smart contracts”, no original em inglês), que prometem mais agilidade e garantias para todos os lados participantes.

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