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Tecnologias emergentes e seu impacto em indústrias, mercados e na sociedade como um todo.

  • August 2, 2019

IA no trabalho: onde estamos agora e para onde vamos?

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O uso de IA para retenção e mobilidade interna dos funcionários pode servir como um diferencial fundamental para muitas empresas no mercado competitivo de hoje.

Por Emily He *

Eu desafio você a falar sobre o futuro do trabalho sem falar sobre inteligência artificial (IA) - Impossível, certo?

É indiscutível que a IA e as tecnologias relacionadas terão um papel significativo na definição da maneira como trabalhamos e como as empresas precisarão se adaptar. Mas como é realmente um futuro artificialmente inteligente no trabalho?

Sabemos que a IA - e seu subconjunto de machine learning - é excelente para tarefas tradicionais de RH e recrutamento, como a mineração de milhares de currículos para encontrar os candidatos mais adequados para um determinado trabalho. Mas para mergulhar mais fundo na IA no trabalho, conversei recentemente com Jeanne Meister, especialista em futuro do trabalho, fundadora da consultoria de RH Future Workplace e autora do “The 2020 Workplace” e “The Future Workplace Experience”.

Leia mais: A força de trabalho híbrida

Discutimos uma série de novas e surpreendentes maneiras pelas quais a IA está sendo usada em RH, o que esperar para o futuro do trabalho e como se preparar para novas habilidades e sucesso. Aqui estão alguns tópicos importantes:

Onde estamos agora?

AI pode aparecer em lugares inesperados

Embora ainda estejamos nos primeiros dias de implantação de AI e machine learning, já vimos um impacto significativo na aquisição de talentos. Muitas organizações têm usado os chatbots para oferecer uma experiência de candidato mais envolvente e personalizada. A IA também ajuda os recrutadores a limitar a quantidade de candidatos, diminuindo o tempo de postagem para preencher uma requisição de emprego e muito mais. É um verdadeiro impulsionador de produtividade para recrutadores e equipes de RH.

No entanto, em sua pesquisa, Meister encontrou alguns usos mais surpreendentes da tecnologia de IA no trabalho. Por exemplo, funcionários de algumas empresas estão usando chatbots de IA para relatar possíveis problemas de assédio e discriminação.

O propósito dos bots pode não ser esse, mas faz sentido: os chatbots permitem que os funcionários relatem supostas transgressões de forma anônima, sem precisar lidar pessoalmente com os gerentes. Dessa forma, os bots fazem perguntas de acompanhamento para que a empresa possa obter informações rapidamente e investigar a reclamação.

A IA pode criar previsões de planos de carreira

Outro exemplo interessante é que a IA pode ajudar as empresas a identificar planos de carreira para funcionários que estejam se destacando em seus cargos atuais. “Em um cenário de baixo índice de desemprego, queremos manter as pessoas que temos e oferecer oportunidades para que elas assumam novas funções", afirma Meister.

Para esse fim, a IA pode avaliar as certificações, realizações, credenciais e capacidades do funcionário e fazer a correspondência com as vagas de emprego apropriadas. Em grandes empresas, essa correspondência sistemática de pessoas e vagas seria quase impossível sem alguma forma de análise por inteligência artificial dos dados do funcionário e da descrição do cargo.

O uso de IA para retenção e mobilidade interna dos funcionários pode servir como um diferencial fundamental para muitas empresas no mercado competitivo de hoje.

Os chatbots podem simplificar o difícil processo de integração

Depois da fase de aquisição de talentos, a configuração dos novos funcionários na folha de pagamentos, benefícios, computadores, acesso a software e telefones é geralmente um processo longo e difícil.

É também o tipo de tarefa repetitiva para a qual serve a IA baseada em chat. Grandes empresas com muitos dados históricos de contratação, em particular, podem tirar proveito da IA para prever e responder perguntas frequentes, por exemplo.

Se o chatbot puder orientar os novos funcionários sobre como obter o crachá de identificação, inscrever-se para obter benefícios e provisionar um computador, eles serão produtivos com mais rapidez.

Olhando para o futuro

A IA reforçará o novo normal no trabalho: gerações, chatbots e “autoautomação”

Além desses casos de uso já existentes na prática, a IA desempenhará também um papel significativo na formação da mão-de-obra do futuro.

Dados da CareerBuilder mostram que 40% dos trabalhadores norte-americanos de hoje se reportam a um chefe que é mais jovem do que eles. Até 2025, estima-se que essa porcentagem aumente para mais de 50%.

Isso representa um problema sério não só para os colegas mais velhos, que podem recusar-se a se reportar a alguém mais jovem, mas também para os millennials que são gerentes de membros da equipe que poderiam ser seus pais e talvez não tenham muita familiaridade com o uso das tecnologias móveis mais recentes.

“As organizações têm que perceber que esse é o novo normal", diz Meister. "Elas precisam facilitar o aprendizado contínuo, para tornar a aprendizagem de novas habilidades algo que você faz várias vezes por dia, como escovar os dentes."

Empresas inteligentes vão encontrar formas de incentivar os funcionários a "autoautomatizar" seus próprios trabalhos, delegando tarefas rotineiras e repetitivas a alguma forma de IA ou automação. Isso permitirá que os funcionários tenham mais tempo para refletir sobre soluções para problemas estratégicos, em vez de preencher formulários. No entanto, para que tudo funcione, os funcionários precisam se acostumar a tratar os chatbots como colegas.

Essa adaptação pode ser mais fácil agora, já que 31% das famílias norte-americanas  usam assistentes de voz inteligentes para controlar as luzes e a música, fazer pedidos no supermercado e de transporte privado e verificar saldos bancários. As empresas que não integrarem funcionalidades inteligentes semelhantes aos seus fluxos de trabalho correrão o risco de se indispor com os funcionários que esperam que suas ferramentas de trabalho sejam pelo menos tão modernas quanto as que usam em casa.

Encontrando novas habilidades que fazem a diferença

Mesmo que a IA se torne mais comum em aplicações empresariais, as pessoas não devem parar de aperfeiçoar sua capacidade de serem “maleáveis".

Especialistas em RH observam que funcionários mais velhos podem não conhecer um novo aplicativo de compartilhamento de fotos, mas os millennials e os mais jovens da geração Z não costumam ter fortes habilidades de comunicação, em parte porque tendem a interagir com os outros por meio de um dispositivo, e não pessoalmente.

Pensamento crítico, criatividade, inovação e a capacidade de enxergar um problema e descobrir uma solução para ele são todos talentos importantes que diferenciam as pessoas da tecnologia, afirma Meister.

E, para aqueles que acham que a IA vai tomar seu emprego, ela dá uma boa dica. “Cabe a você aprender as habilidades que não podem ser automatizadas."

Preparando-se hoje para o amanhã

É desnecessário afirmar que a IA e as tecnologias emergentes produzirão impacto no futuro profissional de funcionários, equipes de RH e líderes empresariais.

No entanto, para não se tornar vítima do medo do "apocalipse da automação", é importante lembrar que a IA não diz respeito apenas à eficiência ou automação, mas é também um catalisador para repensar todo o ciclo de vida dos funcionários, permitindo criar um local de trabalho mais humano.

Com o mindset correto, tanto funcionários quanto empregadores não só vão sobreviver, como também prosperar no futuro profissional impulsionado pela IA.

* Emily He é vice-presidente sênior de human capital management cloud business group na Oracle.

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