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Tecnologias emergentes e seu impacto em indústrias, mercados e na sociedade como um todo.

  • July 9, 2019

“Esqueça as falhas e programe seu cérebro para aprender”, diz executivo da Singularity University

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Pascal Finette, da Singularity University, conta que as empresas precisam acompanhar a curva de evolução da tecnologia e devem ensinar seus colaboradores a não sofrerem com os erros.

Por Redação Oracle

Recentemente, a Oracle recebeu Pascal Finette para conversar com alguns clientes sobre inovação e tecnologia. Pascal é chefe do programa de Empreendedorismo e Inovação Aberta na Singularity University e tem como foco de estudo a intersecção entre tecnologia, seu impacto global e cultura. E para Pascal, devemos ter cuidado ao descartar tecnologias, pois projetos que podem parecer deslocados hoje podem ter papel relevante no futuro, na transformação do mundo.

Pascal conta que um dos motivos para se descartar tecnologia de forma prematura é porque a maioria das pessoas acredita que o dia de amanhã vai ser exatamente como hoje – e esquecem que a tecnologia evolui e muda a sociedade. Ele lembra que nos últimos 120 anos nossa capacidade computacional dobrou a cada dois anos e, olhando para a curva da evolução, já é sim possível prever o futuro: ele vai ser muito diferente de hoje.

Leia mais: O toque humano da tecnologia

O estudioso conta que nos últimos anos a inteligência artificial melhorou 300 mil vezes, o preço de pesquisas relacionadas a genes caiu 85 mil vezes e o custo de energia caiu 250 vezes. As mudanças que veremos nos próximos cem anos é maior do que a que vimos nos últimos 20 mil anos – e essas mudanças não acontecem de forma isolada. Conforme a tecnologia melhora, ela afeta o seu redor: “a tecnologia possibilita outras tecnologias”, afirma Pascal.

Para acompanhar toda essa mudança é preciso saber se adaptar e estar atento ao contexto, pois a maneira que percebemos a tecnologia é muito diferente da maneira com que ela realmente evolui. Ele cita como exemplo o blockchain: mais utilizado nos últimos anos, com o crescimento das criptmoedas, o blockchain foi inventado em 2009 – há dez anos. Leva tempo para que as tecnologias se desenvolvam, mas quando elas decolam as empresas precisam estar preparadas para a mudança. É preciso estar atento ao que está acontecendo, estudar as tecnologias emergentes e conhecer os pontos que antecipam o momento da disrupção. Isso porque quando o mercado descobre como uma tecnologia funciona, não há tempo hábil para adotá-la se a empresa não está bem estruturada e se já não possui conhecimento. “O mercado muda muito rápido, é preciso saber seguir o curso da tecnologia”, Pascal aconselha.

Essas transformações no mercado também alteram o modelo de negócio das empresas e Pascal dá outro conselho: não olhe apenas para o modelo de negócio, olhe para as pessoas. “Tudo começa com as pessoas, essa é a coisa mais importante que você tem”, ele afirma. Pascal conta que dados apresentado por uma consultoria americana apontam que menos de 30% dos funcionários entendem os valores da marca das empresas em que trabalham e isso é algo a que elas precisam estar atentas, pois, ainda segundo ele, as empresas que têm pessoas alinhadas aos valores têm uma performance 12 vezes melhor do que as demais.

“O negócio precisa estar alinhado às pessoas, deve ser sobre pessoas.”

Tenha um propósito claro

Uma das maneiras de ter um negócio alinhado às pessoas é pensar no propósito da marca, que pode utilizar a técnica do “Golden Circle” (círculo de ouro, em tradução livre), de Simon Sinek. A ideia do Golden Circle é que o desenvolvimento de um novo produto passa por três etapas: Por quê, como e o que. Começar o desenvolvimento pensando no “por quê” permite que ele tenha um propósito claro e que esteja conectado com a empresa – e com as pessoas.

Mas Pascal frisa que essa conexão precisa ser genuína. Ele conta que muitas empresas têm se preocupado cada vez mais com a cultura organizacional, mas ao invés de criar uma cultura própria, acabam importando culturas de outras empresas. Outro conselho de Pascal é que a cultura corporativa ensine a lidar com as falhas. Ele não é muito adepto do “fail fast”, a cultura que aconselha as empresas a errarem, mas errarem rápido e seguirem. Segundo Pascal, uma falha deve ser vista como um momento de aprendizado, inclusive por questões biológicas: enquanto falhas criam pontos negros no cérebro, os aprendizados geram pontos brilhantes (“bright spots”). A diferença é que enquanto as falhas geram comportamentos a ser evitados, os aprendizados ensinam caminhos a seguir.

Mas como mudar a cultura da empresa e o mindset dos colaboradores para que passem a encarar as falhas como aprendizados? Pascal cita alguns exemplos da sua trajetória profissional, como conversas francas entre os executivos e colaboradores, em que eles discutam os projetos futuros, mas, também, os que não deram certo. Há também casos em que as empresas fazem “rituais” para que os colaboradores “enterrem” seus projetos que falharam e possam seguir em frente. É preciso transformar a empresa para o futuro, adaptando a cultura e acompanhando a curva de desenvolvimento da tecnologia.

“Construa o que importa”, é o conselho que Pascal Finette costuma dar a seus alunos.

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