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Tecnologias emergentes e seu impacto em indústrias, mercados e na sociedade como um todo.

  • July 23, 2018

A fábrica inteligente e seus desafios para o Diretor de Operações

Jerónimo Piña
Software and Cloud Solutions, Research Manager, IDC Latin America

"Estamos à beira de uma revolução tecnológica que vai mudar fundamentalmente a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, escopo e complexidade, a transformação será diferente de tudo que a humanidade já experimentou antes", diz Klaus Schwab, diretor executivo do Fórum Econômico Mundial em Davos.

Ele, que também é o autor de "A Quarta Revolução Industrial", especifica que um dos componentes dessa mudança é o impacto das novas soluções tecnológicas, como a Inteligência Artificial (IA), Internet das coisas (IoT) ou a nuvem, entre outros, ao combinar os elementos tangíveis com os digitais – na tomada de decisão descentralizada e, de cooperação entre as pessoas e máquina s–, que juntos irão gerar as fábricas inteligentes.

Transformar não é fácil. De cara, as organizações necessitam de uma profunda reflexão sobre qual será seu impacto, como se integrarão e quais ajustes precisam fazer para entrar na nova economia.

Leia mais texto da IDC: Os CFOs e seu novo papel na economia digital

Entre as áreas mais afetadas por esta mudança estão os sistemas de produção e cadeia de suprimentos, sob responsabilidade dos executivos de operações ou de produção (Chief Operating Officer ou COO), que irão liderar o processo de transformação do modelo operacional para torná-lo mais ágil e eficaz.

Embora sejam áreas onde a inovação é promovida, em muitas organizações no Brasil e também na América Latina de maneira geral, os projetos foram isolados, como, por exemplo, a implementação de sistemas de geolocalização na frota de transporte ou o desenvolvimento de novos produtos com impressão em 3D.

Hoje, os COOs precisam planejar propostas mais abrangentes, e não apenas melhorar processos específicos, para ter uma visão mais global do negócio. Precisam também reduzir as discrepâncias entre o que se planeja e o que finalmente chega ao cliente, gerar informações e com isso desenvolver novos produtos, serviços ou mercados. Isso, sem perder de vista as demandas dos usuários e as mudanças no consumo de Tecnologia da Informação na população.

De acordo com as pesquisas da IDC, as prioridades dos fabricantes na região são inovar seus produtos e melhorar sua cadeia de suprimentos, mas, para isso, eles colocam entre seus principais desafios a necessidade de acelerar o tempo de comercialização e a taxa de sucesso dos novos produtos, além de ter maior controle sobre seu desenvolvimento.

Uma das soluções que podem ajudar a facilitar o processo de transformação é chamada de sistema de gestão da cadeia de suprimentos (Supply Chain Management ou SCM) na nuvem, pois permite acelerar a otimização dos sistemas que atualmente são utilizados na empresa, facilitando sua integração com outras áreas como finanças e marketing, entre outras, e reduzindo o tempo e os custos.

Por exemplo, é possível usar a nuvem como um meio para testar novos aplicativos e implementar novos processos mais rapidamente, aproveitar as ferramentas de colaboração para acelerar seus processos de inovação, além de interligar com seus fornecedores para melhorar o fluxo de seus processos e de qualidade com fazer ajustes em tempo real, antes de qualquer situação de mercado.

No Brasil, as soluções de SCM na nuvem ainda estão em estágios iniciais de adoção, mas avançam rapidamente. Espera-se que esse mercado cresça 22% em 2018, mantendo esse ritmo acelerado pelo menos até 2022.

Até o final deste ano, a IDC projeta que metade das organizações usará ferramentas de análise, colaboração social e Internet das Coisas para estender o processo de planejamento integrado para toda a empresa em tempo real.

Em 2019, estima-se que 80% das interações da cadeia de suprimentos ocorrerão em redes de comércio baseadas em nuvem, o que melhorará drasticamente a resiliência e reduzirá o impacto das interrupções de fornecimento em até um terço do tempo.

É essencial que as empresas brasileiras se movam, saiam de sua zona de conforto e rompam com as formas tradicionais de fazer as coisas, porque, se não se modernizarem, não conseguirão atrair novos investimentos e correm o risco de serem adquiridas ou mesmo de desaparecer.

A Quarta Revolução Industrial, argumenta Klaus Schwab, é uma grande oportunidade para alcançar a mudança e um meio de integrar o novo modelo econômico, onde a qualidade do produto e a centralização dos desenvolvimentos e processos no cliente ainda são as principais prioridades, mas agora sob novas estratégias conectadas e inteligentes.

*Texto escrito em coautoria com Enrique Phun, Analista Sênior de Cloud para IDC Latinoamérica, e de Luciano Ramos, Gerente de Pesquisa de Software e Serviços de TI, IDC Brasil.

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