Em tempos de crise, como o que vivemos hoje é fato comum encontrar nas empresas ações como redução de custos, busca pela excelência operacional, fazer mais com menos. Mais do que isso, o que se procura é a sobrevivência. Manter a estrutura atual já consiste um desafio grandioso para gestores. O que dirá ampliar, e até mesmo investir em novas tecnologias. Neste contexto, o que poderia justificar o uso de ferramentas de Web 2.0? O que estas tecnologias poderiam fazer pela minha empresa? Estas são perguntas que tenho em mente quando estou me preparando para apresentações e palestras.
Neste primeiro artigo vamos discutir alguns cenários e casos de uso para as tecnologias de Web 2.0, entender um pouco mais sobre os componentes que compõem sua arquitetura, e identificar em quais contextos há oportunidades reais para sua aplicação.
Inicialmente gostaria de trazer o caso da Goldcorp (Fonte: Wikinomics, How Mass Collaboration Changes Everything - www.wikinomics.com/book/), uma mineradora de ouro baseada em Toronto. Em 1999 a empresa estava prestes a entrar em concordata, mas seu valor de mercado saltou de US$ 110mi para US$ 9bi após seu CEO ter lançado um desafio onde participantes ao redor do mundo identificassem o melhor método e estimativa para localização de novos depósitos de ouro. A Web 2.0, como conhecemos hoje não tem nada a ver com o caso, ocorrido em 2000. Obviamente a Internet exerceu seu papel como meio de comunicação, mas o ponto para o qual chamo atenção aqui é o contexto de colaboração aliado às tecnologias de Web 2.0. Tomando este caso como base, vejamos a seguir outras situações onde podemos interligar necessidade/problema e tecnologia (como plataforma para sua iniciativa).
Web 2.0 no ambiente corporativo – Casos de Uso
Antes de detalhar alguns exemplos, que chamaremos aqui de aplicações situacionais, vamos analisar suas características:
•O participante tem a capacidade de criar, sem o envolvimento de TI, que passa a atuar somente para garantir aderência à Governança de TI;
•Trata-se de uma aplicação simples de ser construída, em um cenário onde a TI oferece uma infra-estrutura de serviços “visuais” que o participante pode consumir. Uma abordagem estruturada de SOA (Service Oriented Architecture) pode constituir fator relevante para a estratégia de Web 2.0. Abordaremos este tema no nosso próximo artigo.
Considerações sobre Áreas e Aplicação
Uma das áreas com grande potencial para explorar o contexto de colaboração em massa através de uma plataforma de Web 2.0 é a área de Pesquisa e Desenvolvimento. Uma proposta pode ser a criação de um canal online onde o cliente contribui com idéias e sugestões sobre novos produtos. Há relatos sobre uma grande franquia de lojas de café, que recebeu uma média de 7 novas idéias por minuto ao lançar sua iniciativa na Internet. Aspectos importantes devem ser considerados, como o fato de que seu site deve servir não só como um grande coletor de requerimentos. Deve permitir também que clientes tenham acesso às sugestões de outros participantes, possibilitando que eles priorizem aquelas de maior valor, conforme seu desejo ou necessidade. A premiação também representa papel fundamental no sucesso da estratégia. Abordaremos estes tópicos em um artigo futuro.
Outra área com grande oportunidade para o uso de ferramentas de Web 2.0 é o setor público. Tais iniciativas são conhecidas como Governo Eletrônico, ou Governo 2.0. Podemos identificá-las em andamento tanto pelo Governo Federal, como é o caso do Portal de Inclusão Digital (Governo Eletrônico), quanto em âmbito estadual. No caso do estado de São Paulo, foi instituída a Política de Gestão do Conhecimento e Inovação promovendo o uso intensivo das tecnologias da informação com aplicações relacionadas às práticas de gestão do conhecimento e inovação. E falando em Web 2.0 para Governo, não poderia esquecer de comentar sobre o site da campanha de Barack Obama.
Agora que tivemos a oportunidade de analisar alguns cenários para uso da Web 2.0, veremos de forma geral algumas ferramentas que oferecem suporte para estas iniciativas.
Ferramentas de Colaboração Participativa
Considerações sobre as Ferramentas de Colaboração
Um blog ou wiki isoladamente pode constituir um importante canal de comunicação trazendo valor agregado. Mas a combinação, ou mashup, destas ferramentas com uma base de CRM, BI, ERP, etc. pode enriquecer em muito a experiência do usuário. A imagem a seguir ilustra uma aplicação construída pelo participante utilizando informações como as descritas anteriormente. É comum encontrar casos onde se deseja publicar também conteúdo multimídia (som, imagem, vídeo ou podcasts). Neste cenário a plataforma de Web 2.0 pode estar nativamente integrada a um sistema de ECM (Enterprise Content Management) ou estar preparada para consumir serviços externos como o Youtube, utilizando protocolos de comunicação padrão de mercado. Aqui é importante considerar fatores como performance, escalabilidade e segurança da informação na adoção de provedores externos. Adicionalmente, a plataforma tecnológica deve contemplar uma arquitetura aberta permitindo a integração como distintos repositórios de informação.
Anatomia de uma Aplicação Situacional
O exemplo anterior ilustra a integração entre ferramentas de Web 2.0 com dados corporativos. O serviço foi disponibilizado em formato de portlet, de forma que possa ser incluído a uma página de aplicação Web ou Portal. No próximo artigo falaremos como uma abordagem de SOA e de processos (BPM) pode contribuir para a construção de uma infra-estrutura de serviços para sua estratégia de Web 2.0.
Para concluir nosso primeiro artigo, gostaria de deixar duas referências para reflexão. Um artigo recente publicado pela Harvard Business Review (Fevereiro de 2009) aborda uma iniciativa com o propósito de definir uma nova pauta para a Administração (Administração 2.0) para os próximos 100 anos. Dentre os 25 desafios listados pela revista, ao menos 2 fazem referência para o emprego de tecnologias de inovação. O primeiro busca inserir a idéia de comunidade e cidadania em sistemas de gestão. O segundo trata sobre a democracia da informação, de tal forma que qualquer funcionário esteja devidamente equipado para agir conforme o interesse da empresa como um todo, abordando questões sobre transparência e do consciente coletivo.
Finalmente faço uma breve referência ao relatório apresentado pelo Fórum Econômico Mundial em Abril. O relatório sugere mudanças nos sistemas educacionais de todo o mundo para ajudar a desenvolver o espírito empreendedor e melhorar a economia global, como uma proposta de combate à crise atual. Dentre as recomendações está a transformação do sistema educacional, onde as instituições de educação em todos os seus níveis (primário, secundário e superior) devem adotar métodos e ferramentas inovadoras, contemplando “abordagens multidisciplinares e métodos de ensino interativos para incentivar a criatividade, inovação, pensamento crítico, reconhecimento de oportunidades e conscientização social". O documento propõe que a iniciativa privada e governo trabalhem juntos para atingir os objetivos propostos.
No próximo artigo abordaremos os desafios técnicos de implementação e a proposta da Oracle de Enterprise 2.0, trazendo as ferramentas de Web 2.0 para o ambiente corporativo.